quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Leonardo da Vinci - Um Génio do Renascimento



Leonardo da Vinci encarnou perfeitamente o ideal de homem completo do Renascimento: foi pintor, escultor, músico, matemático, botânico, anatomista, inventor.
Nasceu em 1452, em Vinci, uma pequena cidade situada nos arredores de Florença, filho de um notário e de uma camponesa. Cresceu livre e alegre, numa região de grande beleza natural. Ele próprio era dotado de uma figura esbelta e de inteligência excepcional — parecia que a Natureza se tinha esmerado para fazer de Leonardo uma verdadeira «obra-prima humana». Quando tinha 17 anos, a família mudou-se para Florença. Leonardo pôde então admirar essa esplêndida cidade, o grande centro cultural do Renascimento, e pôde aí desenvolver a sua enorme capacidade Intelectual e a sua insaciável ânsia de saber.
Foi admitido na oficina do escultor e pintor Verrocchio, onde conviveu com outros jovens talentosos, como Botticcelli. Cedo demonstrou a sua genial intuição e as suas raras qualidades de artista. Um dia, Verrocchio mandou Leonardo pintar uma cabeça de anjo numa grande tela em que ele próprio estava a trabalhar. Conta-se que o mestre, ao ver o trabalho do discípulo, ficou de tal modo impressionado que pegou nos seus pincéis e os quebrou, prometendo que nunca mais voltaria a pintar.
Em 1482, Leonardo mudou-se para Milão, onde viria a permanecer quase vinte anos, ao serviço do duque Ludovico Sforza. Aí realizou inúmeras obras de engenharia militar, arquitectura, engenharia hidráulica, pintura e escultura. Nos salões da nobreza e da burguesia milanesas, Leonardo da Vinci brilhava com o seu inexcedível talento e as suas qualidades de poeta e de músico.
É também em Milão que se encontra a Última Ceia de Cristo, uma grande composição a fresco pintada por Leonardo numa das paredes do refeitório do convento dominicano de Santa Maria delle Grazie. Esta obra famosa está hoje muito danificada. Leonardo, sempre inovador, utilizou tintas e técnicas experimentais que, infelizmente, não resistiram ao passar dos séculos.
Boa parte do seu tempo, porém, gastava-o Leonardo estudando a Natureza: as árvores, as flores, as rochas, a água, o vento, as nuvens, os animais, o corpo humano, incansavelmente, ia desenhando nos seus cadernos aquilo que observava, acompanhado de minuciosas anotações numa escrita muito pessoal, feita da direita para a esquerda e invertida, o génio de Leonardo levou-o a interessar-se por assuntos cujo estudo sistemático só alguns séculos mais tarde seria feito, como a geologia, a meteorologia e a hidráulica. Estudou o curso dos rios e projectou canais navegáveis. Fascinado pelo voo das aves, passou longos anos a estudá-lo e sonhou com uma máquina que permitisse o voo humano – alguns dos seus desenhos mostram hélices, asas e pára-quedas.



Os primeiros XVI, passou-os Leonardo de novo em Florença. Data dessa época a sua obra mais conhecida, A Gioconda ou Mona Lisa. Não se sabe ao certo se a personagem retratada era a mulher de um burguês de nome Francesco dei Giocondo ou uma dama florentina amiga de Juliano de Médicis. Há também quem diga que Leonardo da Vinci se apaixonou por ela e, por isso, conservou sempre consigo este admirável retrato. Seja como for, a verdade é que Leonardo conseguiu captar de forma genial a personalidade da Gioconda. No seu rosto esboça--se um indefinível sorriso, acompanhado pelo olhar melancólico. As técnicas do sombreado e do sfumato, aqui aplicadas por Leonardo com uma inultrapassável mestria, contribuíram também para tornar este quadro misterioso um verdadeiro objecto de culto.
A prodigiosa obra de Leonardo da Vinci, que viria a morrer em França, em 1519, constitui um dos maiores legados do Renascimento para toda a humanidade.


(retirado do manual "História 8", Mª Emília Diniz, Editorial O Livro)



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